«[…] o sentimento de realização
é cativante da felicidade[…]»
Às vezes paramos e
perguntamo-nos a nós próprios o significado, o propósito, o sentido da (nossa)
vida. Todos os dias levantamos, quase que fazemos as mesmas coisas durante todos
os anos da nossa vida; olhamos para os lados e vemos nossos semelhantes com
vida diferente, contudo com o seu porém, nós também temos o nosso porém, que,
se avaliado, a mesma medida de aflição carregamos com os outros, embora em
circunstâncias diferentes.
Mas o que nos torna gostosos
da vida enquanto vivemos debaixo do sol, dia após dia? Procurei tantas vezes a
resposta desta afirmação e, através de algumas análises e observações das
coisas que sucedem com os próximos bem como os bem-sucedidos, os optimistas, os
cheios de Fé, é que há necessidade de termos lutas, sim, lutas e desafios.
Quando temos estas coisas a acompanhar a nossa vida, temos razão de viver e
temos o tempero da vida, ou seja, aquilo que dá sabor à mesma. Estas
declarações até aqui são directamente ligadas ao fenómeno de não deixarmos a
vida fazer de nós o que for, mas de sermos o sujeito da nossa história e
presença na terra, da nossa vida.
Ter causas é tão fundamental
que, o que é curioso, quem não as tem, sente mesmice na vida, tem desprazer de
viver, tem menos reflexos emotivos (logo não vê graça em muitas coisas),
desvalorizando coisas pequenas e simples pois a sua disposição não lhe concede
interesse por coisas que não pareçam maiores e, por esta posição, o indivíduo
fica susceptível a doenças que afectam internamente, refiro-me a doenças de
coração, hipertensões, depressão, melancolia, entre outras que afectam o estado
de espírito. Já sabemos como é que ficam estas individualidades que sofrem
estas doenças, excluem-se na sociedade e tendem a carregar um pessimismo e
transferi-lo aos outros. Por outro lado, os que têm causas tendem a ser mais
saudáveis, mais bem-dispostos, vigorosos, fortes e gostosos da vida, pois estão
sempre em alta, tanto no pensar, no agir, nas actividades pequenas ou grandes,
importantes ou não, na Fé, nos seus propósitos e na vida em que estão
envolvidos e neles percebe-se felicidade e alegria no que fazem. Há motivos de
doenças do coração nestas pessoas? É possível que desenvolvam desejos de morte?
Elas estão sempre animadas.
Ainda que tenham de se levantar todos os dias, comer, defecar, vestir e dormir,
fazem com vigor, porque não são estas as suas atenções, suas atenções
projectam-se para causas e propósitos concretos, que são todas aquelas coisas
que lhes são vontade de permanecer na terra e realizar para bem próprio (se for
egoísta) ou comum. E não podemos somente olhar para a vida financeira como um
ponto de motivação para permanecermos em pé todos os dias.
Conversava com uns jovens,
de quem tenho absorvido grande conhecimento, mantendo-me quieto enquanto
vomitam seu saber, quando um deles falou de um aspecto bem interessante, que
são os nossos pais que, dada altura que passamos a viver sob sua
responsabilidade, deixaram de viver, de lutar, de ganhar, de perseguir por si,
mas pelos seus filhos. Vê-se até, essa posição, em pais que acordam muito cedo,
madrugada ainda, e preparam sua actividade laboral, sem tempo, muitas vezes de
cuidada da própria aparência e de seus caprichos, voltando tarde à casa com o suficiente
para uma refeição digna para os seus filhos. Estes pais já não vivem para si,
mas pela sua família. Esta é a sua causa, o seu propósito, a sua dedicação, o
seu sentido de viver, o qual se não tivesse talvez se fosse confundir com
qualquer um que vive se lamentando da vida e que não comemora avanços e nem
vitórias. Para estes pais, redundando, a sua permanência na terra e o seu
prazer de viver nela estão intrinsecamente ligados à sua causa, e de pensar que
lhos vão deixar um dia, fá-los fazer o máximo de si para evitar hecatombes
futuras.
Ter causas é fundamental
para que a vida nos valha a pena, se por assim não for, ela será eternamente
aquela melancolia que detestamos, e vamo-nos questionar sempre o sentido da
vida, o propósito dela, embora nem a causa que venhamos a identificar e
perseguir seja uma resposta a esta questão (conforme o pregador, o homem mais
sábio da existência dos homens, referiu em Eclesiastes 1.2-…), mas uma delas,
pois o sentido da vida está na ausência de vão nas nossas dedicações, ou seja,
está na atenção a coisas que são essencialmente vitais, não naturais, mas bem
mais superiores.
Pois bem, tenhamos causas,
tenhamos lutas, tenhamos desafios, isto é que contribui para uma vida saudável,
uma vida admirável que nos dê prazer e que inspire os outros. Se não tiver
causas, nem lutas, amigo, vá atrás delas, salve-se da morte espiritual,
motivacional que o podem querer acompanhar; crie um projecto social, cultural,
religioso que seja saudável para você e para a comunidade e lute com todas suas
forças, o sentimento de realização é cativante da felicidade, isto é, convém
que nos realizemos para experimentarmos a felicidade, e, felicidade e
felicidades acumuladas são motivações sensacionais para abraçarmos desafios
novos e assim aumentamos prazer na vida.
Um abraço!
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