A questão é que há um erro nestas frases que se vem construindo ao longo do tempo em relação ao dinheiro. Talvez seja má formulação ou, como disse Paulina Chiziane ‘quem conta um conto aumenta sempre um ponto’, acrescentando eu, ‘mas também pode omitir algum ponto’. Esta adição ou omissão pode ser que seja por ignorância mesmo da parte do reprodutor ou ainda intencional para conter as pessoas por parte da entidade que distorce. Mas quero acreditar que venham de passagens bíblicas como em 1 Timóteo 6:9-10:
Porque os que querem enriquecer-se caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências néscias e danosas, que submergem os homens em perdição e ruína; pois a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro; o qual, cobiçando, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Diz-se que as pessoas envolvidas em ganâncias, vontade de adquirir muito e muito mais, estão fadadas a caírem em tentações e em laços. Tentações e laços que são propostas que lhes podem surgir como forma de ganhar muito dinheiro, que sejam indecorosas, corrompidas, ilegais, com risco até de vida, ou ainda pôr em causa a família. E ainda submeter-se a imoralidade ou prejuízo de sua própria saúde, seja mental ou física, daí a concupiscência que levam os homens às perdições e ruína.
A busca desenfreada pelo dinheiro – ganância – torna-se um mal para quem se dirige neste âmbito, atraindo para si todos os males. O amor ao dinheiro leva os homens a correrem riscos e a se submeterem ao que já mencionamos no parágrafo anterior. Quem ama dinheiro não suporta a ideia de num momento não o ter, por isso que está sempre a controlar quanto tem e, geralmente, tem margens que o preocupam, quando próximo da margem procuram aniquilar esta condição, pelo que vive em constante preocupação. Esta preocupação gera stress, fadiga, ansiedade, mau-humor, vícios que o mantenham mais aliviado das suas tenções – bebida, cigarros, mulheres. São estas cosias que não vêm e ficam por isso mesmo, não, trazem outras desgraças a médio-longo prazo, como doenças do coração, AVC, depressão, desprazer da vida, entre outras melancolias.
Atenção que não é o dinheiro que traz males às pessoas, não confundam as coisas. Mas que fique bem claro para quem não terá percebido ainda: é o amor ao dinheiro que traz desgraça ao homem; é a vaidade de querer enriquecer a todo custo que torna os homens seres perdidos; tudo isso afasta o homem de Deus, pois este homem transforma o dinheiro em seu deus, por prestá-lo culto na sua mente e no seu coração. O remédio para isso, é entendermos que precisamos de dinheiro para nosso bem-estar, para vivermos confortavelmente entre os nossos, pois o dinheiro dá-nos essa possibilidade em dadas situações, e que vale a pena ter em consideração 1 Timóteo 6:6-7 (mas grande fonte de ganância é a piedade com contentamento, porque nada trouxemos para este mundo e, sem dúvida, nada podemos tirar dele.).
O contentamento não é suportar a dor de ter poucas refeições durante o dia ou não se comer o que se gostaria de comer; de andar com chinelo com arrame; de ter de andar uma longa distância por não ter dinheiro suficiente para fazer ligações e apertar-se no transporte público por não poder andar de táxi, mas é em esforçar-se para se sentir bem nesta condição, por outras, aproveitar a situação e viver o mais intensamente a vida, ai podemos ver e conhecer outros valores da vida e do dinheiro, pesarmos e vermos o que realmente importa.