Conviver com regras pode
parecer uma chatice para muitos de nós. Achamo-las invasoras, intrusas,
detentoras da nossa liberdade para fazer as coisas ao nosso belo prazer. Mas
há quem pense que elas são bem úteis e que precisamos das mesmas para o nosso
bem-estar próprio na relação com os outros. Gostando ou não, o facto é que elas
estão connosco e fazem parte do nosso dia-a-dia, e neste artigo pretendemos
apresentar as suas razões de existência, vantagens e desvantagens da mesma.
Regras são formas definidas
de como se deve proceder dentro de um determinado contexto. Carregam os mesmos
sentidos de lei, regulamento, cláusulas, onde há proibições e obrigações,
deveres e direitos. Estamos sujeitos a estes fenómenos em todos os lugares onde
frequentamos, até onde se diz «aqui está tudo livre, esse «aqui está tudo
livre» constitui-se em si uma regra dentro daquele ambiente. Quer quando
estamos a conduzir e temos de apertar o sinto de segurança, ou temos de
respeitar o limite de velocidade imposto num determinado troço; quer quando
vamos comprar pão e temos de fazer uma bicha de modo a comprarmos vez a vez; ou
nas redes sociais, quando há interdição de publicação de determinados
conteúdos; quer no contexto domiciliar, quando temos horas de chegar a casa,
permanecer acordados ou satisfações que devemos dar; quer na escola, quando se
delimitam horas de chegada e de saída. As regras fazem parte de nós.
Mas porquê delas existirem
As regras não existem por
simplesmente existirem. Elas sempre partem de um pressuposto, de uma base,
de uma observação que o sujeito que as propõe ou impõe nota. Regras nenhumas,
quero eu acreditar, surgiram do nada; que somente o indivíduo terá conversado
com seus botões e, de repente, pensou, como em criatividade, que se tinham de
criar regras. Nestes casos perguntamos: estas regras estão fundamentadas em
quê? Ou, qual é a base delas? E, então, o sujeito criador tem de
justificá-las com propriedade, com bases sólidas e testadas. Imagine se alguém
nos vier e disser que, ao telefone não devemos falar mais de 2 minutos. Não
ficaríamos satisfeitos sem saber o porquê desta recomendação ou interdição, mas
se nos explicar o que acontece se o indivíduo ultrapassar esse tempo, essa
regra valeria a pena.
As regras têm base e fundamento
As regras que cobrem os
motoristas de veículo, por exemplo, são fundamentadas pelos testes e
observações de especialistas, o que os faz dizer, ali não se pode acelerar a
mais de 80 km/h, pois a estrada não está preparada para tal ou há movimento de
pessoas e animais; os automobilistas devem apertar o sinto de segurança, pois
isto evita que se movam bruscamente no carro perante uma colisão mais ou menos
violenta. Certamente que estes casos foram já experimentados e confirmados de
modo a criar leis que sejam inteligentes e práticas para as pessoas, salvando suas vidas. As leis são importantes neste sentido, de proteger o homem, e
não, precisamente, o limitar nas possibilidades que hajam em nossa volta, não
para conter os nossos ânimos.
As regras servem para nos proteger
Se nos propusermos a obedecer as regras que se nos
apresentam sob proposta, poderemos nos beneficiar dos resultados
advindos da obediência. Se nos ocorre um embate, por exemplo, não somos
arremessados brutalmente, o que contribui, em grande, na sobrevivência;
protegemos outras pessoas e a nós próprios de acidentes, atropelamentos; somos
protegidos com a nossa obediência. A desobediência a elas pode até trazer
aquele sentimento de liberdade, de adrenalina por extrapolar os limites
impostos ou até novidade e criatividade, mas pode vir com consequências contrárias – desgraça diversa ordem.
As leis bíblicas
Deus criou os mandamentos
para proteger o Homem de si próprio, ou seja, da sua natureza. Está previsto na
Bíblia que não devemos cair em adultério, cair em adultério está no coração do
Homem como uma tendência, o que pode trazer más consequências, como por
exemplo, a própria paz do indivíduo de quem trai – a necessidade de esconder o
acto ocorrido; o peso de consciência que surge; o baixo auto-estima por se
considerar imprestável, etc. –; vingança da parte do ofendido com a traição,
resultando em mortes, divórcios, difamação de muitas pessoas, até os que não
tiveram nada que ver com o acto, mas, como ou são da mesma família ou são da mesma
casa ou é empregado daquela casa ou é filho, tem para si estendidos os dissabores. São muitas coisas que são evitadas
com o cumprimento deste mandamento. Têm, também, impactos negativos o incumprimento de outros mandamentos que, se reflectíssemos profundamente, descobríamos a desgraça associada.
É preciso entendermos o valor da lei
Precisamos mudar os olhos
para com as regras, olhando-as como elementos protectores da nossa integridade,
em particular, e do nosso próximo. Há que ensinarmos aos nossos próximos sobre o
valor que a lei, as regras carregam para nós. Se não quisermos cumprir as
regras por nós, porque achamos banalidade, cumpramos para os outros. Entendamos as leis como princípios para nos proteger e não
como limitação.
Um abraço!
Por Alberto Bembele
