Enquanto
sujeitos activos, em vida, e até mesmo após a morte, somos, voluntária ou
involuntariamente, apreciados constantemente pelos outros. Esta apreciação é
motivada pela observação de como temos procedido no nosso dia-a-dia nas mais
diferentes actividades, e sobre peculiaridades como a nossa forma de ser e
estar; o modo como pensamos, reflectimos e falamos; o estilo de vida; as
decisões e contribuições em público e até a forma como vestimos e tratamos o
cabelo.
As
pessoas buscam sempre um referencial para si. Este acto não pode ser conotado
como uma escolha pessoal de assim o proceder ou fraqueza. A verdade é que, necessariamente, o Homem é
um imitador por excelência. Esta condição, conjecturo, deve justificar-se pelo
reconhecimento de que o outro sabe um pouco mais e que, seguindo os seus
passos, a sua sobrevivência e sucesso possam estar garantidos. As crianças são
um exemplo fiel a essa teoria. Elas são excelentes imitadoras, fazendo o que o
mais velho próximo faz, seja um irmão ou um pai. Esta característica de mimese
é acompanhada enquanto somos adultos e mais conscientes e com a ilusão de
personalidade exclusiva.
Digo
ilusão de personalidade exclusiva porque um ser não é feito de si por
si, como o todo-poderoso. O nosso Eu é composto de Eu de várias pessoas que nós
admiramos e aceitamos na nossa consciência. Nós somos um indivíduo ao mesmo
tempo que somos um colectivo, pois, o que se encontra em mim, poder-se-á
encontrar no meu próximo menos distante: parentes da mesma casa; colegas da
escola; professor; pastor; etc. A tábua rasa proposta por Rousseau também se
realiza sobre a formação de personalidade, vendo-se preenchida, não só pelas
experiências colhidas em vida, mas também por comportamentos motivados
pelas referências menos distantes do indivíduo.
O acto
de observar e imitar nem sempre (quase nunca) é notificado para o objecto a ser
imitado. Um exemplo claro e próximo, somos nós mesmos. O que somos agora, a
forma como falamos, vestimos, levamos a nossa vida, tem muito que ver com
referências de carne e osso que terão passado ou estão na nossa vida. Eu,
particularmente, vejo-me, em determinadas circunstâncias, a proceder tal como
um professor que tanto admirava pelos seus atributos intelectuais, mas nunca me
aproximei a alertá-lo sobre isso. Do mesmo modo como eu tenho recebido esta
influência, compreendo que também possa servir de referência para alguém por
aí. Digo «eu», mas você também que lê esta mensagem é, certamente, objecto de
observação e imitação ainda que secretamente.
Por razão
deste fenómeno e concordância com este raciocínio, é imprescindível que
obtenhamos e assumamos isto como uma responsabilidade para a conservação
daqueles que nos observam e se inspiram em nós em muitas coisas, ou completamente. É o que o Apóstolo Paulo exorta no capítulo 8 do livro 1
Coríntios:
9 Veja que esta vossa liberdade não seja pedra de tropeço
para os fracos. 10 Porque, se alguém vir a ti, que tens conhecimento, sentado à
mesa no templo dos ídolos, a consciência daquele que é fraco não será
estimulada a comer coisas sacrificadas aos ídolos? 11 E, pelo teu conhecimento,
arruína-se o irmão fraco por quem Cristo morreu.
Aquele
que é consciente, mais experiente, aquele está já há muito mais tempo em uma
determinada caminhada é responsável no encaminhamento daqueles que são novos,
daqueles que estão a entrar e que não têm muito juízo para discernimento, por meio de sua conduta. Paulo traz esta questão, mostrando que, de facto, estamos sujeitos
a nos tornar objecto de imitação e observação para o próximo, tal como fomos
imitadores quando entramos naquele contexto, tivemos um referencial, alguém que
nos inspirava e que nos admirava. Porque temos esta responsabilidade no
encaminhamento do próximo, é necessário que nossas atitudes sejam, o mais
possível, as mais virtuosas, que andemos em rectidão, isto para a conservação
destes que seguem os nossos passos. Em concordância, diz mais ainda: 13 Pelo que, se a comida é para o meu irmão
ocasião de queda, não comerei carne jamais, para não ser tropeço a meu irmão.
Esta última
abordagem corresponde àquilo que ele próprio mais adiante diz: Tudo me é lícito, mas nem tudo convém; tudo
me é lícito, porém nem tudo edifica. Ninguém busque próprio interesse, mas o do
outro (1 Coríntios 10:23-24). Os nossos procedimentos devem ser medidos de
modo a evitar escandalizar aqueles que são fracos, aqueles que não têm largo e
profundo discernimento, que são fracos na consciência (candidamente
influenciáveis) e que nos possam ter como modelos. A consciência de que o homem
se pode arruinar por causa das nossas acções é razão cabal e perfeita para nos
endireitarmos a nós para que o outro tenha conforto e bom exemplo e não se
choque nem se desiluda com qualquer dos actos iníquos que, impulsivamente,
venhamos a praticar.
Então,
tendo dito tudo isto, é conveniente que vigiemos os nossos passos, que lutemos
para caminhar na perfeição, dando boa inspiração para os que nos seguem
assumida ou secretamente, independentemente do lugar ou circunstância. Sejamos
exemplares, mais humildes, sóbrios, honestos, mais dados a coisas edificantes e
que dêem atributos a nós, pois tudo isso passar-se-á por influência àqueles que
nos têm como espelho, aqueles que vêem em nós um modelo a seguir. (1 Coríntios
10:33). Portanto,
sejamos sábios em nosso proceder, andando na lei e na boa conduta, não apenas
pela nossa reputação, mas por causa da nossa responsabilidade.
Por: Alberto Bembele

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ResponderEliminarEm tudo quanto fazemos, modelamos em alguém, ainda que de forma despercebida. Somos jovens com certas características de criança que muito observa, com vista a aperfeiçoar a nossa performance, nosso modo de ser, agir e portar-se. Sem delongas, meus parabéns, Alberto, pela inspiração que tevi ao meditar nessa palavra, pelo modo como manipula as palavras, é de se respeitar. Que haja em si a multiplicação dos dons divinos. ������!
Bom
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