O sentimento de realização é
amplamente desejado pelas pessoas que têm causas e lutam por elas. Este
sentimento pode-se confundir com o sentimento de felicidade. O Apóstolo Paulo na sua segunda epístola a
Timóteo, no versículo 7 do capítulo 4 diz: Combati o bom combate, acabei a
carreira e guardei a fé.
Se formos a reparar os verbos utilizados estão no
pretérito perfeito, sinal de que a acção foi já concluída, ainda que no passado
recente, mas foi. Eis que agora ele goza da felicidade de se ter realizado
naquilo que vinha trabalhando ao longo de sua vida.
É preciso termos causas para experimentarmos a felicidade da
realização
Se não tivermos nada que nos
oriente para lutar, para correr atrás, para nos preocuparmos, corremos o risco
de viver uma vida monótona, melancólica que não nos trará benefícios nenhuns ao
nosso bem-estar físico, psicológico e social. Uma vida desse género não tem
fundamentos para se sentir feliz, alegre e muito menos para viver, e fica a se
lamentar, a ver os outros a correrem para lá e para cá a resolver isto e
aquilo, dando sentido a sua própria vida e correndo para a sua realização. É
necessário termos lucidamente causas para a nossa vida. Escola é uma causa.
Faculdade é uma causa. Família é uma causa. O bem-estar social é uma causa. A
justiça é uma causa. A Educação é uma também. Tudo aquilo que precisa de alguém
que vele para si, constitui-se uma causa.
Vale a pena ter causas
Ter causas traz-nos duas
situações muito importantes para a nossa vida de forma subjectiva. Primeiro é
que enquanto a causa não é vencida, ou seja, enquanto a realização não é
alcançada, divertimo-nos em correr atrás, em acordar a pensar naquilo, em
dormir a pensar naquilo, em caminhar a pensar naquilo, em vestir a pensar
naquilo – nossa vida passa a ter eixo e por isso sentido. Nós vivemos para
aquilo, fazemos a vida para aquilo assim como o apóstolo Paulo que depositava a
sua vida em transmitir o evangelho aos gentios (todos os que não eram judeus).
Imagine alguém que tem uma causa no tribunal e que queira com todo o seu ser
vencer esta causa, esta pessoa faz o que fizer com parte do pensamento lá onde
a vida faz sentido, eis que a sua morte é-lhe uma frustração –não pode morrer
agora – porque seu desejo é realizar-se ali; assim acontece para quem tem filhos,
família, pessoas em sua responsabilidade, vive para eles e sua causa são essas
pessoas, este constitui-se o seu eixo e ela vai realizando-se a cada dia que
regista avanço, o que contribui para a conclusão do bom combate. E outro ponto
que justifica a importância das causas para a nossa vida é de experimentarmos
realizações. Quantas vezes não vimos o telejornal (se não aconteceu connosco) a
reportar-se sobre uma tal cerimónia de graduação de uma universidade qualquer e
os recém-graduados dizer coisas como ‘’há, foi muito difícil, mas estou feliz
porque consegui, agora sinto que consegui… estou muito feliz, não tenho
palavras’’ ou ‘’foram muitas lutas, noites perdidas, encontros familiares
adiados ou substituídos por prioridade nos estudos, mas valeu a pena, hoje
tenho o canudo, que alegria’’, não excluindo demais circunstâncias onde se
evidenciam vencedores, aqui assistimos ao espectáculo de realizações e vê-se no
topo dos seus semblantes a felicidade a reinar. Acredito que lhes vem aquela
lembrança de sacrifícios vividos; aflições por trabalhos mal feitos ou nem
feitos por sobrecarga ou desleixo próprio do estudante, enfim, a realização é o
ponto de ruptura entre a luta e a coroa adquirida.
Ganhou uma causa, procure outra
O perigo reside em depois de
vencermos aquela causa, depois de sermos graduados, depois de lançarmos um livro,
depois de lermos um livro, depois de casarmos, depois de… ficarmos relaxados na
realização que tivemos e não termos outra. O mais provável a acontecer é esta
recente realização perder a novidade e ganhar a mesma categoria de relevância
que o chão que varreu a duas horas – já não vale lá muito – e é também provável
que aqueles sentimentos de melancolia, de monotonia, de desprazer da vida
sobrevenham, pois já não há mais causas, já não há mais sentido de viver – a
luta cessou – já não tem mais graça. A causa a seguir pode não estar muito
longe da causa vencida. De acordo com o colocado acima, imigre para outra
causa, ou faça essa realização um problema, forma-te num outro curso ainda que
da mesma área; escreva outro livro com notas que faltaram naquele, ou desminta
alguma coisa ou mude de assunto; leia um outro livro; dedique-se a amar, a
cuidar, a viver para o seu amado; não fique parado, mova-te sempre, crie
causas, e tenha prazer na vida.
Em suma
É importante que lutemos
pelas nossas causas, que demos o sentido da nossa vida principalmente a melhor
a vida do nosso próximo. Essa causa é a que nos vale muito mais a pena, não só
por adquirirmos posição de herói, mas por significar mais para nós que para
estas pessoas, ainda que percebam depois de morrermos, ficaremos imortalizados
em suas mentes e corações; não passaremos como um raio sem deixar rastros, mas
como agentes, modificadores e fontes de inspiração. Tenhamos causas para que
tenhamos razão de viver. Ter causas não é difícil, ainda que seja alimentar uma
formiga todos os dias ou pentear um mendigo todos os dias de manhã. Tenha
causas, sempre. Que a morte te pare e não seja a preguiça nem a inveja.
BB
ResponderEliminarMestre*
ResponderEliminarSim, mestre dos mestres, como vai?
EliminarMestre*
ResponderEliminarVocê vai longe miúdo 💪👏👏👏👏👏👏
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