sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A FELICIDADE VEM DE VENCER CAUSAS – TER REALIZAÇÕES.



Alberto Bembele

O sentimento de realização é amplamente desejado pelas pessoas que têm causas e lutam por elas. Este sentimento pode-se confundir com o sentimento de felicidade. O Apóstolo Paulo na sua segunda epístola a Timóteo, no versículo 7 do capítulo 4 diz: Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé.
 Se formos a reparar os verbos utilizados estão no pretérito perfeito, sinal de que a acção foi já concluída, ainda que no passado recente, mas foi. Eis que agora ele goza da felicidade de se ter realizado naquilo que vinha trabalhando ao longo de sua vida.

É preciso termos causas para experimentarmos a felicidade da realização

Se não tivermos nada que nos oriente para lutar, para correr atrás, para nos preocuparmos, corremos o risco de viver uma vida monótona, melancólica que não nos trará benefícios nenhuns ao nosso bem-estar físico, psicológico e social. Uma vida desse género não tem fundamentos para se sentir feliz, alegre e muito menos para viver, e fica a se lamentar, a ver os outros a correrem para lá e para cá a resolver isto e aquilo, dando sentido a sua própria vida e correndo para a sua realização. É necessário termos lucidamente causas para a nossa vida. Escola é uma causa. Faculdade é uma causa. Família é uma causa. O bem-estar social é uma causa. A justiça é uma causa. A Educação é uma também. Tudo aquilo que precisa de alguém que vele para si, constitui-se uma causa.

Vale a pena ter causas

Ter causas traz-nos duas situações muito importantes para a nossa vida de forma subjectiva. Primeiro é que enquanto a causa não é vencida, ou seja, enquanto a realização não é alcançada, divertimo-nos em correr atrás, em acordar a pensar naquilo, em dormir a pensar naquilo, em caminhar a pensar naquilo, em vestir a pensar naquilo – nossa vida passa a ter eixo e por isso sentido. Nós vivemos para aquilo, fazemos a vida para aquilo assim como o apóstolo Paulo que depositava a sua vida em transmitir o evangelho aos gentios (todos os que não eram judeus). Imagine alguém que tem uma causa no tribunal e que queira com todo o seu ser vencer esta causa, esta pessoa faz o que fizer com parte do pensamento lá onde a vida faz sentido, eis que a sua morte é-lhe uma frustração –não pode morrer agora – porque seu desejo é realizar-se ali; assim acontece para quem tem filhos, família, pessoas em sua responsabilidade, vive para eles e sua causa são essas pessoas, este constitui-se o seu eixo e ela vai realizando-se a cada dia que regista avanço, o que contribui para a conclusão do bom combate. E outro ponto que justifica a importância das causas para a nossa vida é de experimentarmos realizações. Quantas vezes não vimos o telejornal (se não aconteceu connosco) a reportar-se sobre uma tal cerimónia de graduação de uma universidade qualquer e os recém-graduados dizer coisas como ‘’há, foi muito difícil, mas estou feliz porque consegui, agora sinto que consegui… estou muito feliz, não tenho palavras’’ ou ‘’foram muitas lutas, noites perdidas, encontros familiares adiados ou substituídos por prioridade nos estudos, mas valeu a pena, hoje tenho o canudo, que alegria’’, não excluindo demais circunstâncias onde se evidenciam vencedores, aqui assistimos ao espectáculo de realizações e vê-se no topo dos seus semblantes a felicidade a reinar. Acredito que lhes vem aquela lembrança de sacrifícios vividos; aflições por trabalhos mal feitos ou nem feitos por sobrecarga ou desleixo próprio do estudante, enfim, a realização é o ponto de ruptura entre a luta e a coroa adquirida.

Ganhou uma causa, procure outra

O perigo reside em depois de vencermos aquela causa, depois de sermos graduados, depois de lançarmos um livro, depois de lermos um livro, depois de casarmos, depois de… ficarmos relaxados na realização que tivemos e não termos outra. O mais provável a acontecer é esta recente realização perder a novidade e ganhar a mesma categoria de relevância que o chão que varreu a duas horas – já não vale lá muito – e é também provável que aqueles sentimentos de melancolia, de monotonia, de desprazer da vida sobrevenham, pois já não há mais causas, já não há mais sentido de viver – a luta cessou – já não tem mais graça. A causa a seguir pode não estar muito longe da causa vencida. De acordo com o colocado acima, imigre para outra causa, ou faça essa realização um problema, forma-te num outro curso ainda que da mesma área; escreva outro livro com notas que faltaram naquele, ou desminta alguma coisa ou mude de assunto; leia um outro livro; dedique-se a amar, a cuidar, a viver para o seu amado; não fique parado, mova-te sempre, crie causas, e tenha prazer na vida.

Em suma

É importante que lutemos pelas nossas causas, que demos o sentido da nossa vida principalmente a melhor a vida do nosso próximo. Essa causa é a que nos vale muito mais a pena, não só por adquirirmos posição de herói, mas por significar mais para nós que para estas pessoas, ainda que percebam depois de morrermos, ficaremos imortalizados em suas mentes e corações; não passaremos como um raio sem deixar rastros, mas como agentes, modificadores e fontes de inspiração. Tenhamos causas para que tenhamos razão de viver. Ter causas não é difícil, ainda que seja alimentar uma formiga todos os dias ou pentear um mendigo todos os dias de manhã. Tenha causas, sempre. Que a morte te pare e não seja a preguiça nem a inveja.


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